A dificuldade para contratar e manter colaboradores qualificados tem sido um dos principais desafios enfrentados pelo comércio neste início de ano. Em um mercado aquecido, com diferentes setores disputando os mesmos profissionais, cresce a percepção de que experiência, sozinha, já não é suficiente para atender às exigências do varejo atual.
Em Sinop, a rotatividade no comércio é uma realidade recorrente. Muitos profissionais circulam entre empresas, enquanto parte dos candidatos ainda acredita que apenas a vivência prática garante a permanência no emprego. Do outro lado, as empresas passaram a buscar algo além da experiência, exigindo qualificação, atualização constante e adaptação às novas rotinas do mercado.
De acordo com Giovanna Fabbris, colaboradora da CDL Sinop e responsável pelo Balcão de Empregos, há hoje um descompasso claro entre o que é oferecido e o que é exigido nas vagas disponíveis. “O que está acontecendo é uma certa desatenção e despreocupação com a qualificação profissional. Muitos ainda acham que apenas ter experiência na área, em qualquer setor, já é suficiente, mas as empresas mudaram esse pensamento”, explica.
Segundo ela, o comércio passou a exigir profissionais mais preparados e dispostos a evoluir junto com o negócio. “Hoje, além da experiência, existe a exigência por qualificação, e muitas vezes por uma qualificação contínua. É justamente nesse ponto que acontece um embate entre a oferta e a demanda de vagas”, destaca Giovanna.
Esse cenário também é analisado pelo economista Feliciano Azuaga, que observa que a escassez de mão de obra qualificada tem impacto direto na competitividade das empresas. “O mercado de trabalho está mais dinâmico e exigente. As empresas precisam de profissionais preparados para acompanhar mudanças tecnológicas, novas formas de atendimento e gestão. Ao mesmo tempo, quem busca uma vaga precisa entender que investir em qualificação é um diferencial cada vez mais decisivo”, avalia.
Esse desalinhamento, conforme a responsável pelo Balcão de Empregos, contribui diretamente para desligamentos precoces e eleva os custos da rotatividade no comércio. “Quando não há esse alinhamento desde o início, a contratação até ocorre, mas dificilmente se sustenta. Isso gera frustração para o empresário e para o trabalhador”, observa Giovanna.
O Balcão de Empregos da CDL Sinop tem atuado como um elo entre lojistas e candidatos, buscando aproximar perfis, esclarecer expectativas e tornar o processo de contratação mais transparente e eficiente. A iniciativa auxilia tanto quem oferece vagas quanto quem busca uma oportunidade no comércio.
Para a gerente executiva da CDL Sinop, Vanusa Ires, investir em pessoas deixou de ser uma alternativa e se tornou uma estratégia indispensável para a sustentabilidade dos negócios. “O colaborador é parte fundamental da experiência do cliente. Empresas que investem em orientação, qualificação e ambiente de trabalho saudável conseguem equipes mais engajadas e melhores resultados”, afirma.
Além da contratação, a qualificação contínua aparece como um fator decisivo. Parcerias com entidades como o Senac e ações internas de treinamento ajudam a formar profissionais mais preparados, seguros e alinhados às demandas do varejo moderno. Diante desse cenário, a CDL Sinop reforça que a gestão de pessoas deve receber a mesma atenção dedicada às finanças e às vendas.