A CDL Sinop protocolou, nesta quinta-feira (22), um ofício junto à Prefeitura solicitando a paralisação temporária das obras de implantação e ampliação da rede de esgotamento sanitário, executadas pela concessionária Águas de Sinop, até o encerramento do período chuvoso.
O pedido foi apresentado pelo presidente da entidade, Edmundo da Costa Marques Neto, e recebeu apoio do prefeito Roberto Dorner, que informou à CDL que levaria a demanda para discussão junto à Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados (AGER) e à concessionária. Ainda na quinta, o prefeito realizou reunião com os envolvidos para tratar dos encaminhamentos.
No documento encaminhado ao Executivo, a CDL destaca uma série de problemas relacionados à execução das obras, como descumprimento de cronogramas, falta de transparência, ausência de comunicação prévia, além de transtornos à mobilidade urbana. Segundo a entidade, as interdições prolongadas e as dificuldades de acesso aos estabelecimentos comerciais têm causado prejuízos diretos ao comércio local, impactando o fluxo de clientes e as vendas.
A CDL reforça que o comércio é um dos principais motores da economia de Sinop e que obras de grande porte, quando realizadas sem planejamento adequado e fiscalização eficaz, acabam afetando não apenas empresários, mas toda a coletividade. Ainda participaram da reunião a gerente executiva da CDL Sinop, Vanusa Ires, e o vice-prefeito Paulinho Abreu.
Paralisação temporária
Após o pedido formal da CDL e manifestações públicas sobre os transtornos enfrentados pela população, a concessionária Águas de Sinop informou que decidiu paralisar temporariamente as obras de implantação de redes durante o período de chuvas mais intensas.
Segundo a empresa, a medida atende sugestões apresentadas pela Prefeitura e por entidades representativas, com o objetivo de minimizar impactos à população, ao comércio e à mobilidade urbana. Durante esse período, a concessionária informou que irá priorizar serviços de limpeza, recomposição e pavimentação das áreas afetadas.
A retomada das obras de implantação da rede de esgoto está prevista para ocorrer a partir de março, de forma gradual e com menor intensidade. Já em abril, com o início do período de estiagem, os trabalhos deverão ser intensificados.
Multas de R$ 438 mil
Em meio às discussões sobre os impactos das obras, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Município de Sinop (AGER) aplicou R$ 438 mil em multas à concessionária de água e esgoto do município.
As penalidades estão relacionadas a falhas na execução dos serviços, descumprimento contratual e problemas operacionais, reforçando as críticas feitas por entidades e pelo poder público quanto à condução das intervenções.
Para a CDL Sinop, a aplicação das multas evidencia a necessidade de maior rigor na fiscalização e de um diálogo mais transparente entre concessionária, poder público e sociedade.
Transtornos, desgaste, cobrança
Antes mesmo da decisão de paralisação temporária, as obras de esgoto vinham sendo alvo de críticas públicas, inclusive por parte de vereadores, como o presidente da Câmara, Remídio Kuntz, que chegou a vistoriar intervenções e apontar falhas na execução.
A CDL Sinop reforça que é favorável aos investimentos em saneamento básico, reconhecendo sua importância para o desenvolvimento da cidade. No entanto, a entidade defende que essas obras precisam ser executadas com planejamento, comunicação prévia, respeito aos cronogramas e menor impacto possível à atividade econômica, especialmente em períodos críticos como o de chuvas intensas.
A entidade seguirá acompanhando o andamento das medidas adotadas e manterá diálogo permanente com a Prefeitura, a AGER e a concessionária, sempre em defesa dos interesses do comércio e da população de Sinop.